Insuficiência respiratória crônica
Dra. Ilma Paschoal, Pneumologista e Doutora em Medicina
Assessora técnico-científica da Divisão Home Care da AGA Linde Healthcare
[ fevereiro de 2003 ] - Muitas doenças dos pulmões, da caixa torácica, dos músculos e do sistema nervoso que controla os movimentos respiratórios podem interferir na função essencial para vida representada pela captação adequada de oxigênio e eliminação eficaz de gás carbônico.
O oxigênio é tão fundamental para a vida quanto é indispensável para manter uma chama acesa. Quem já se dispôs a acender uma churrasqueira e cuidou de mantê-la em ação para garantir o almoço de domingo sabe que sem ar (no caso o oxigênio do ar ) não há brasa que resista.
Na verdade, do mesmo modo que um carro queima gasolina para andar nós também “queimamos” os alimentos que ingerimos para conseguir a energia que nos permite viver.
Quem capta o oxigênio do ar é o aparelho respiratório ( pulmões, caixa torácica, músculos respiratórios e o sistema nervoso que comanda estes músculos). Este oxigênio é depois levado pelo sangue até cada uma dos nossos trilhões de células, no interior das quais acontece a “queima” dos alimentos.
Como qualquer outro processo de combustão, esta queima produz resíduos que, em altas concentrações, são tóxicos. Este subproduto é o gás carbônico que é transportado de cada uma das células, pelo sangue, até os pulmões, onde ele é eliminado para o meio ambiente junto com o ar expirado.
A insuficiência respiratória acontece quando, por funcionamento inadequado de um ou mais componentes do aparelho respiratório, baixa o nível de oxigênio e sobe a concentração de gás carbônico no sangue.
Esta situação pode se estabelecer de modo súbito, como resultado de doenças do pulmão (por exemplo, pneumonia grave), como conseqüência de lesões no sistema nervoso ( traumatismo craniano, acidentes vasculares cerebrais ou “derrames”) e em muitas outras circunstâncias : esta é a Insuficiência Respiratória Aguda.
Normalmente estes casos são bastante graves e exigem internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para um tratamento denominado Ventilação Mecânica.
Ventiladores Mecânicos são máquinas que tentam substituir a função do aparelho respiratório enquanto o paciente não tem condições de respirar sozinho.
Para garantir maior eficiência nesta tarefa os ventiladores mecânicos são conectados ao aparelho respiratório por meio de vias aéreas artificiais: o tubo orotraqueal (tubo de plástico ou borracha, colocado no interior da traquéia) ou a traqueostomia (orifício aberto no pescoço em um procedimento cirúrgico que permite o acoplamento do ventilador diretamente na traquéia).
Na insuficiência respiratória aguda a ventilação mecânica tem duração limitada, geralmente não maior do que alguns meses. Na maioria das vezes a situação se resolve em 2 a 8 semanas e neste período o paciente ou melhora o suficiente para ser retirado do aparelho ou, infelizmente, não responde ao tratamento e morre.
Muitas outras doenças existem, no entanto, que, ou progridem lentamente, ao longo de anos, para insuficiência respiratória ou então, começam agudamente mas criam uma condição tal que impedem o paciente de voltar a assumir sua função respiratória, transformando-o num dependente crônico de suporte ventilatório.
Estas pessoas, portadoras de Insuficiência Respiratória Crônica, se adequadamente tratadas, podem ter uma boa qualidade de vida, por tempo considerável.
O suporte respiratório para pacientes portadores de insuficiência respiratória crônica pode ser fornecido no próprio domicílio do doente, já que viver em um hospital por anos a fio não é uma alternativa muito atraente.
A tecnologia para se manter em casa pacientes que anteriormente só poderiam ter suas necessidades supridas em um hospital é relativamente recente no Brasil.
Pode-se fornecer suplementação de oxigênio para os pacientes que necessitem apenas desta terapêutica, mas também se pode auxiliar uma respiração deficiente com geradores de fluxo de ar aplicados às vias aéreas de forma não invasiva, com máscaras nasais ou oronasais, sem necessidade de tubos ou traqueostomia. Em algumas situações especiais, consegue-se até fazer ventilação invasiva no domicílio do doente.
Todas estas técnicas terapêuticas acontecem com segurança mesmo longe do hospital porque estão disponíveis também aparelhos que avaliam com facilidade as condições do paciente e das máquinas utilizadas no domicílio. Estes monitores são simples e confiáveis e trazem tranqüilidade a todos os envolvidos no cuidado ao doente.
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